Chamada à Oração

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“Prezado Colega – Efésios 6:18,19

Sentindo a aprovação do Senhor, e a urgência da hora que estamos vivendo, resolvemos enviar-lhe este manifesto, esperando receber a sua atenção e a devida meditação; Nós somos obreiros do Senhor, e o desejo da Causa está em nossas mãos mais que em qualquer outra. O Senhor tem mensagens sérias na sua Palavra para os Pastores que chamou e comissionou (Isaías 6, Jeremias 1, etc), e daremos conta de nossa mordomia naquele momento final (Lucas 16:2). E possivelmente poucos foram tão desafiados como o somos nestes dias de final apostasia.

Consideremos algumas razões:

1- Estamos na fase intermediária entre o pioneirismo e a expansão em que a denominação começa a usufruir o conforto e a riqueza, com todas as virtudes e vícios já manifestados em outros campos missionários semelhantes. Não queremos nos referir a dificuldades intestinas, frutos de política eclesiástica inevitável, mas àqueles sintomas outros, manifestos nas igrejas, de debilidade espiritual, formalismo no culto, cerimonialismo, asfixiante e a acomodação de hábitos e licenças do mundo que aos poucos vão absorvendo e dissolvendo as igrejas no indiferentismo mortal; os exemplos estão aí de denominações viçosas em seu início, e hoje meros cadáveres ambulantes da fé. E não podemos negar que nossa denominação já se encontra afetada da fatal doença.

2- Diante do mal evidente, qual a atuação do ministério e o que poderemos esperar para o futuro? Se quisermos ser sinceros, o quadro não é nada animador; caímos no erro das denominações ricas e cultas de resumir a qualificação ao ministério na aquisição de um diploma de Seminário. E estes nada mais podem exigir dos candidatos que uma qualificação intelectual e uma recomendação da Igreja… E muitos incrédulos e deformados morais acham meios de satisfazerem o exigido e tem diante de si as portas das igrejas abertas. E eis o profissionalismo avassalando as Igrejas do Senhor. E força é reconhecer que já enfrentamos esta situação de fato. Aquela visão de um ministério quebrantado, submisso, poderoso nas mãos do Espírito está sendo substituída pela ambição de títulos e interesses subalternos, relegando o ministério a lugar secundário,, e o púlpito, a meditação e a oração, a menor expedientes. Isto possivelmente é crime de terrível punição.

3- A denominação Batista no Brasil já está marcada por estes terríveis sintomas internos. Não podemos negar que muitas de nossas igrejas se converteram em montanhas de gelo: não há vigor, não há vida, não há fervor, não há poder do Espírito Santo como houve abundantemente nas igrejas apontadas no Novo Testamento. O testemunho da maioria de nossos crentes é negativo e prejudicial. Estão longe de se constituírem no que Jesus apontou em Mateus 5:16; pelo contrário, pelo testemunho de certos crentes ninguém mais se anima a aceitar a Cristo, como Salvador. A Bíblia está sendo um livro esquecido, a maioria dos crentes nem a levam à igreja, porque não vão usá-la; nossas reuniões de oração, via de regra, são insípidas, mecânicas, rotineiras, sem vida. Não sentimos responsabilidade pelas almas que perecem sem Cristo e sem Salvação. Marcham para a perdição eterna e nada, absolutamente nada, fazemos a favor delas. E quanto aos perigos externos? O comunismo avassalando povos e implantando pela mística e pela força o credo negador? E o secularismo científico, aniquilando almas com o vírus do ceticismo aniquilador?

4- Diante do problema terrível, e em tempo de segura e certa recuperação, que atitude o Senhor nos induziria a tomar para a salvação do evangelismo no Brasil? Somente uma ensinada pela Palavra de Deus e sancionada pela experiência: um movimento nacional de oração. Uma tomada de posição diante do Altar do Senhor, começando pelos púlpitos e espalhando-se pelos bancos. Um avivamento espiritual pelo caminho da oração, com corações submissos, abrasados com o santo desejo de ver o Senhor operar a salvação desta grande Pátria. O exemplo é confirmado pela história.

No livro ‘O Grande Avivamento Americano’, de Arthur Stirckland, lemos que Deus operou no passado com homens semelhantes a nós, mas que oraram, procuraram a face do Senhor, e a Ele se entregaram incondicionalmente para um trabalho de revivificação espiritual na Europa e na América do Norte. Com a palavra Arthur Stirckland:

“Um grupo de 23 novos ministros, inclusive Stephen Fano, de Providence, e Isaac Backus de Middleboro, enviou uma ‘Carta Circular’ convidando os demais ministros e suas igrejas a orarem por um avivamento. Eles tinham exemplo de suas chamadas de mesmo caráter, procedentes, sendo uma de ministros da escócia, em 1743, e, um pouco mais tarde outra por Jonathan Edwards. Estas chamadas haviam grandemente contribuído para que os corações fossem abrasados na Escócia e nos Estados Unidos, dando lugar a um verdadeiro avivamento espiritual. Esta circular contém os seguinte parágrafos interessantes, mostrando que a base do avivamento foi o poder da oração, ou as antigas chamadas à oração.

“Aos Ministros e Igrejas de todas as denominações cristãs nos estados Unidos é feito um convite de se unirem em espírito de humildade, todos com o mesmo desejo explícito em orações de intercessão e louvor, pedindo um avivamento para que o Reino de Deus possa ser promovido na terra.

“Esta proposta para uma chamada nacional de oração encontrou cordial resposta. Isto aconteceu porque os espíritos ardentes e fervorosos creram que a única esperança para a Igreja estava no poder de Deus um em um avivamento espiritual. Dr. Green, de Princeton, respondeu: “O Plano de uma reunião de oração, em comum, tem o minha máxima aprovação e esforçar-me-ei, usando todos os meios possíveis para levá-lo a efeito.

“O Presbiterianismo de Nova York e os Sínodos de Nova York e de Nova Jersey recomendaram a “Circular” a todas as suas igrejas, e também escolheram um dia para jejum e oração. O Sínodo da Igreja Holandesa Reformada fez o mesmo. No plano para o avivamento que se seguiu há muitas notas alusivas ao mesmo, mostrando a sua vasta aceitação. A reposta foi geral entre as denominações e suas igrejas, em todos os recantos do País. Na noite de declínio espiritual entre as igrejas, o caminho da oração tinha sido encontrado. As portas que estavam fechadas, agora abriram-se para a oração e isto, inevitavelmente, conduziu a um verdadeiro avivamento.

“Bangs, em sua História do Metodismo, escreve sobre este fato: “Seguiu-se solene exortação para a Igreja, que foi lida em todos os púlpitos, e, assim, foi adotado um dia de jejum e oração.

“Nas fronteiras do Oeste, o povo entrou nos templos para gastar o terceiro sábado de cada mês em intercessão para que tivesse o poder do Espírito Santo, meia hora ao pôr do sol e domingo ao amanhecer pelo mesmo motivo.

“Na Associação Batista de Sheffsbury, no regulamento de 1795, entre os itens, há um assim: item 13 havendo um bom número de pessoas no continente, que concordou em unir-se para orar por um avivamento, pedindo o Poder do espírito santo, nas primeiras terças-feiras de janeiro, abril, julho e outubro, esta Associação aprova o mesmo. Por este meio nós aprovamos o Plano com cordial satisfação e o recomendamos a todas as igrejas por nós representadas. Com este propósito, esperamos que não haja distinção de denominações e que todos unidos o executemos em temor e amor de Cristo.

“Assim, o movimento de oração foi promovido em fraterna comunhão. Os Distritos , Sínodos, Presbitérios e Associações levaram suas igrejas ao Grande Avivamento.

“Tornou-se geral a necessidade de orientar e espalhar o Avivamento.

“Havia grupos grandes e pequenos em todo o país orando e pedindo uma mesma coisa. O Avivamento foi dado por Deus.

“Depois de anos, o Ver. Porter, de Andover, escreveu uma série de cartas com notícias do Avivamento, para o Seminário de Andover usar nas suas classes. Os líderes escreveram que ‘para desejar ministros avivalistas o caminho certo é criar nos Seminários tal espírito. Dr. Porter escreveu sobre o Grande Avivamento: Sociedades chamadas de Arão e Hur (legião de Intercessores, Êxodo 17:12) seja um sustentáculo para as mãos dos ministros através da oração Os grupos encontravam-se para orar, antes do começo dos trabalhos aos domingos. Grupos de jovens oravam por outros jovens, pais oravam pela conversão dos filhos e a grande necessidade do auxílio de Deus, em toda a parte era reconhecida, levando o cristão fiel e leal até Deus. O reconhecimento de tal necessidade do homem tornou-se uma necessidade de Deus.

“Em tal atmosfera, o Avivamento era inevitável e tornou-se uma necessidade nacional.”

Os Ministros de cada cidade devem se reunir periodicamente pelo menos uma vez por mês) para orar, rogando expressamente ao Senhor por um Avivamento real no Brasil. Unir-se-ão, rogando ao Senhor por um despertamento de nossa Pátria, confiados na promessa de Mateus 18:19.

Cada Pastor deve organizar em sua Igreja um Movimento de Renovação Espiritual e colocar-se à frente dele. Buscará a face do Senhor (2Cr 7:14), purificará sua vida e não descansará seu coração enquanto não receber a bênção prometida em Lucas 24:49 e Atos 1:8. Procurará diminuir o ritmo de suas atividades seculares e dará mais tempo à comunhão com o Senhor, à leitura da Bíblia e de outros livros inspiracionais como: “A Senda do Calvário”, “O Espírito Santo e Missões”, “O Espírito Santo e a Evangelização do Mundo”, “O Espírito Santo no Livro de Atos”, “Concessão de Poder”, “O Reavivamento de que Precisamos”.

O grupo, grande ou pequeno, deve reunir-se em um dia especial, estudando uma parte destes livros, orar com alvos definidos, em preces breves; terminada a reunião, todos devem ir imediatamente para suas casas (do contrário o diabo é capaz de destruir o trabalho de uma ou duas horas em poucos minutos de comentários desairosos); não se deve criticar quem não veio; Essas reuniões serão permanentes até que Deus visite o seu povo. Nelas devemos imprimir uma finalidade suprema, qual seja a de cada crente endireitar sua vida com Deus para ganhar almas para Cristo.

Unamo-nos, irmãos, em oração; busquemos ao Senhor de todo o nosso coração, hoje mesmo.

Pela Renovação Espiritual no Brasil, subscrevemo-nos, em Cristo Jesus,

ENÉAS TOGNINI

JOSÉ REGO DO NASCIMENTO

São Paulo, janeiro de 1960.

“Os Batistas estavam ansiando por um sopro do Espírito Santo em seus grandes trabalhos. Uma denominação bem estruturada, moldada no Novo Testamento, com grande ardor evangelístico e missionário, firme disciplina, estava preparada para receber o fogo do Espírito Santo. E se a mão do homem não tivesse fechado as portas para o Espírito de Deus, o avivamento dos céus teria varrido as igrejas batistas, removido a palha e os batistas brasileiros somariam dez vezes o que são hoje. O homem impediu o que Deus pretendia fazer com o Brasil. A máquina tomou o lugar do Espírito Santo. A tradição vazia desviou a avalanche do poder do céu que seria derramado sobre o Brasil. A meu ver, os Batistas eram os únicos que estavam preparados para esta obra do Espírito. Os líderes não quiseram. Preferiram outros caminhos. O anjo encarregado de acender o fogo do céu no Brasil voltou com o braseiro ardente para usar em ocasião oportuna.”

História dos Batistas Nacionais, pgs 35 a 45.

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